Não sou eu, é você.

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Não sou eu, é você.

27 de janeiro de 2016 Confissões Desabafo Escrita Literatura Mulher relacionamento 0

Sabe, eu voltei lá, não sei se disse. Na verdade, não tinha como dizer.

Eu sei que lá acabou se tornando o nosso lugar. Os atendentes já até nos conheciam. Mas você tem que entender que eu frequentava bem antes de nos conhecermos. Então, eu acho que o lugar é meu por direito.

Não te quero mal, quero bastante bem, só que bem longe de mim. Você não é uma má pessoa, mas não é bem a pessoa que eu quero ao meu lado. E acho que isso ficou claro, né? Ainda mais no final.

Adoraria ter continuado sua amiga, permaneço próxima de vários dos meus ex, mas acho que você não conseguiria. Sabe, não precisava ter sido tão grosseiro no fim. Tudo acaba, não custava nada levar na esportiva, baby. Só que você não consegue.

Desta forma, não perderíamos o lugar. Não na vida um do outro, mas o lugar que costumávamos frequentar. Não que eu deixe de ir, mas sempre temo encontrá-lo e não sei como proceder se acontecer. Finjo que você não existe ou cumprimento? Você aceitaria meu cumprimento?

Eu não sinto sua falta. E suponho que não sinta a minha. Ninguém é insubstituível ou inesquecível, acho que já temos idade pra saber disso. Mas eu sinto muito por ter estragado esse lugar pra você. Ou pra mim.

Aquele sempre foi o meu lugar. Meu café e coxinhas prediletos em toda São Paulo. E, de repente, você apareceu e se tornou o nosso lugar. A partir daí, mesmo que eu fosse sozinha, os atendentes perguntavam de você. Ou eu esperava que você chegasse entre uma xícara e outra. Desse jeito, o meu se tornou nosso. Não que eu quisesse.

Agora você se foi e eu voltei a ser sozinha, a tomar meu café devagar, quase frio como eu gosto. Espero que você tenha conseguido o mesmo. Os garçons, pelo menos, têm sido discretos.

Admito, eu demorei pra voltar lá. Ele fica no meu caminho, mas eu sempre atravessava a rua perto de passar em frente. Mas com o tempo, fui tomando coragem e cada vez fui chegando mais perto, mais perto, até que me sentei e pedi meu café e duas coxinhas. Mentira, só uma. E, assim, voltei a ter o meu lugar. Só meu.

 

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