Perdeu o emprego? Sem crise, empreenda.

Redação publicitária, jornalismo, storytelling e mídias sociais.

Perdeu o emprego? Sem crise, empreenda.

3 de março de 2016 causa empreendedorismo mídias sociais propósito redes sociais 0

Há um ano, perdi o emprego em um corte, devido à crise. E não arrumei outro trabalho logo em seguida, como imaginei que iria acontecer e, assim, felizmente, não apenas mudei o endereço da minha infelicidade em horário comercial; mas precisei sim, descobrir meu lado empreendedor.

Com as dificuldades econômicas e políticas que nosso País vive, sei que algumas pessoas também estão enfrentando ou enfrentarão essa jornada da demissão, sem encontrar uma recolocação logo em seguida. E a esses, eu digo: há vida fora do mundo corporativo! Mas é preciso planejamento para tirar o melhor da experiência; conhecimento que só agora eu me sinto capaz de compartilhar. Tudo dividido em 10 dicas, focadas em São Paulo, mas com conceitos que podem ser vivenciados em qualquer lugar.

1) Você empresa

A partir desse momento, você não é apenas uma engrenagem de uma máquina, a máquina corporativa, mas é uma empresa completa e precisa se ver como tal. Para tanto, necessita entender o que tem a oferecer para ganhar dinheiro. Ok, você era um analista de não sei o quê, mas esse é um momento de angariar, ampliar e não se restringir. Seu antigo emprego o restringia a um cargo e a pequenas atividades, mas você é muito maior do que isso. O que sabe fazer? O que gostaria de fazer? Você poderia dar aulas de inglês? Fazer traduções? Oferecer consultoria? Não se restrinja, faça uma lista de tudo.

No meu caso, comecei oferecendo serviços de comunicação, jornalismo e propaganda, que são as minhas formações, mas acabei ampliando para tudo o que se relaciona a textos: revisão, correção de trabalhos acadêmicos (coloco na ABNT), assessoria de imprensa, planejamento de comunicação, reportagens e redação publicitária.

2) Profissionalize-se

Ok, digamos que você decidiu dar aulas de inglês, que essa será uma das atividades que oferecerá ao mundo. Você pode dizer a seus amigos e conhecidos que se dedicará a isso, mas com a internet, há um grande potencial de divulgar a mais gente e angariar bem mais dinheiro. Bom, não?

Entendo que aí cabe criar um nome para seu empreendimento. Sim, você está se tornando um empreendedor, seu próprio chefe. Criado o nome, talvez uma logomarca também. Por que não investir em um website? Hoje existem plataformas como o wix, que a partir de modelos prontos, permitem que você mesmo, sem a ajuda de um designer ou programador, desenvolva sua página web. Meu próprio site foi criado pelo Wix 😉

3) Use a internet para se divulgar

Lembro que nas empresas onde trabalhei nunca sobrava tempo para a autopromoção nas redes sociais, mas você vai descobrir que as mídias sociais são uma grande aliada. O ambiente online praticamente não tem custo e aumenta e muito sua lista de possíveis clientes. Eu sei que é difícil para quem como eu, não gosta de aparecer, só que é necessário dizer ao mundo a que veio e mostrar o que vem fazendo.

Assim, se você não tem, abra um perfil pessoal no Facebook e, se possível, monte uma Fanpage na plataforma. Passe a usar também o Twitter e o LinkedIn. Eu passei a escrever mais na minha página pessoal do Facebook para que as pessoas guardassem na memória que eu escrevo. Mesmo se vou repassar uma informação, procuro escrever alguma coisinha. E se estou com um trabalho novo na rua, divulgo tanto por lá quanto pelo LinkedIn e Twitter. Sempre aparece um cliente que chegou a mim por essas postagens, elas também funcionam como um lembrete ao meu grupo de amigos e conhecidos de que eu ofereço esses serviços.

4) Aprenda a vender seus serviços até numa mesa de bar

Eu brinco com as pessoas, dizendo a frase acima, mas é a mais pura verdade. Desde que perdi meu emprego, por questão de sobrevivência mesmo, eu tive que aprender a vender o que eu faço. É como se fosse uma ent

revista de emprego diária, em que todo e qualquer lugar pode surgir uma oportunidade. Assim, sempre explico bem direitinho o que faço. Pode não ser um novo cliente, mas pode ser um novo parceiro de trabalho, ou alguém que saiba de alguém que precisa dos meus serviços.

E, para isso, também procuro ampliar a gama de possibilidades de encontrar novos clientes e parceiros. Como? Conversando com mais gente, encontrando os amigos e participando de eventos. O importante é aumentar seu número de relações e dar mais oportunidade para que negócios aconteçam.

5) Estude, aprenda, aprimore-se

Possivelmente, o que você aprendeu no mundo corporativo vá fazer parte apenas de uma pequena fatia das tarefas que terá no dia a dia. Então, estude, aprimore-se. Há o Sebrae com diversos cursos sobre empreendedorismo. É interessante entender melhor de mídias sociais e suas métricas. Talvez você precise entender melhor de estratégias de negociação, uma vez que agora você não só executa o serviço, mas negocia, atende o cliente e faz o pós-venda.

Dessa forma, aproveite. O mais incrível do EUpreendedorismo é que agora você faz seus horários. Estude sua agenda e encaixe essas atividades entre as tarefas do dia a dia e eles ainda ampliam seu networking, que ajudam-no a vender seu trabalho ao ampliar sua teia de relações. Eu, por exemplo, descobri recentemente uma paixão por edição de vídeos e me dedico ao estudo disso duas vezes por semana, no meio da tarde.

6) Economize

Parece óbvio, mas eu, pelo menos, saí do antigo emprego achando que já iria conseguir outro, assim, fiz dívidas. Bem bobamente mesmo. O empreendedorismo tem diversos lados legais como ficar mais próximo da família e fazer seu próprio horário, mas leva um tempo para se ganhar o mesmo que se recebia no mercado corporativo. Falta pouco, mas eu ainda não cheguei lá. E, claro, o melhor é não ter dívidas para pagar.

Outra questão é que você não recebe um salário, então, nunca tem muita certeza quanto dinheiro vai ter naquele mês. E um mês pode ser bom, o outro, não. Dessa forma, para não passar apertos, economize. Corte os luxos como os canais premium da TV a cabo; troque a Sephora por produtos Maybelline comprados na drogaria; vá à feira, os produtos são mais frescos, mais baratos e você ainda pode pechinchar. Compre pouco, consuma menos, bem menos. Além do mais, como já disse, agora você tem tempo. Dessa maneira, é bacana investir em preparar seu almoço e jantar em casa, o que é, inclusive, bem mais saudável. O ideal é refazer todas as suas escolhas.

Uma sugestão é também investir em práticas colaborativas. Em vez de pagar por um serviço, por que não oferecer uma permuta? Você pode trocar o pagamento de um teste vocacional para o filho, por exemplo, por textos, ou outra atividade que exerça.

Ginástica? Por que não optar pela Smartfit ou Justfit, que são super em conta? Em horário de pico, essas academias de baixo custo ficam lotadas, mas são bem mais habitáveis fora deles e, adivinhe só, você pode ir nesses momentos.

Cabeleireiro? Por que não optar pelas escolas de cabeleireiros, como o Soho Academy, que cobram menos da metade de um salão? Eles contam com a supervisão de bons profissionais, já formados; o único problema são os horários disponíveis, mas veja só: você faz seus horários!

A mesma coisa em relação aos cursos citados no item anterior. Mas eles têm custo e aqui eu falo de economia, né? Pois então, eu consegui uma bolsa de 100% no meu curso de vídeo, devido ao horário oferecido. A matemática do empreendedorismo é mais tempo x menos dinheiro. Para tirar o melhor proveito disso, eu sugiro você ir atrás de tudo que está disponível por menos custo para quem tem mais tempo. Aliás, as fotos que ilustram esta matéria, eu tirei em um workshop gratuito de fotografia.

7) Não seja bom, seja o melhor

Para garantir o pagamento das contas, não basta você ser bom no que faz. É ótimo que você seja, mas isso podia garantir o seu emprego antigamente. Agora o jogo é diferente. Seus clientes têm que preferir você e indicá-lo a outras pessoas. Para isso, o vinculo precisa ser mais forte. Você precisa não só entregar um trabalho bem feito e no prazo, mas ter uma boa relação com seu cliente. Isso inclui não apenas entregar o trabalho ou orçamento, mas querer saber se foi satisfatório e se faltou algo, como poderia fazer melhor da próxima vez. É estar aberto para ouvir críticas. E fazer além do que lhe foi pedido.

Não se trata de apenas mais uma tarefa do seu emprego. Cada trabalho é único e extremamente importante para um cliente. Você precisa escutá-lo com atenção. Por exemplo, se você vai entregar um site, seu cliente depende dele para que seu negócio dê certo e, portanto, você é diretamente responsável por sua felicidade. Entende a responsabilidade? Ainda mais que diferentemente da experiência no corporativo, é bem provável que você passe a se dedicar a clientes com pequenos negócios como o seu. Estruturas pequenas, mas que abarcam grandes sonhos.

As pessoas também são mais propensas a contratar alguém porque se relacionam bem com ela. Trabalhar bem ajuda, mas pense: você contrataria alguém bom para um serviço ou uma pessoa com quem se relaciona bem? Geralmente, preferimos nossos amigos e conhecidos, pois somos bastante sentimentais.

E entregue o trabalho, mantenha contato, afinal, não é apenas mais uma pessoa, mas alguém que você ajudou nesse caminho para alcançar a felicidade. E no fim das contas, pode surgir mais algum negócio, não é?

 

8) Acorde cedo

Você tem um emprego: agora você trabalha para você mesmo. Então, a dica é começar o dia cedo para terminar cedo. Apesar de ser seu próprio chefe e fazer seus horários, se não fizer um horário das 9h às 18h, corre o risco de perder oportunidades. É preciso se organizar para dar conta das reuniões que precisam ser agendadas e dos trabalhos a serem entregues. É só você e mais ninguém, assim, precisa dar conta de todas as etapas: prospectar, negociar, fechar negócios e entregar, além do pós-venda. Se não fizer isso, corre o risco de virar noites e finais de semana na labuta.

Importante também colocar limite a quem vive contigo. Não é porque está em casa que está sossegado. Você está tra-ba-lhan-do. Só que em um sistema home office.

9) Seja proativo

Essa dica virou lugar-comum nas entrevistas corporativas, pega bem dizer que se tem essa característica, mas ela é real no dia a dia dos negócios. Assim, se um possível cliente disse que gostaria de marcar uma reunião na semana tal, vá atrás e marque. Se indicaram um cliente para você, entre em contato, converse, agende uma reunião para conhecê-lo e ouvir suas necessidades; ligue. Mas não deixe pra depois. É no tempo que você espera o cliente entrar em contato, que ele fecha o serviço com outra pessoa. Então, seja proativo, my friend.

10) Viva seus sonhos

Sim, agora você tem tempo. Talvez não tanto dinheiro, mas tempo, pois é você quem faz seus horários. Lembra daqueles projetos pessoais que estavam na gaveta por falta de tempo? Então.

Eu passei a escrever reportagens que me interessavam e sobre assuntos em que acredito: a cobertura de eventos como o TED, as palestras de Camille Paglia e Satish Kumar, e ainda pude escrever sobre a ocupação da escola Fernão Dias, em que meu filho estudou.

Também desenvolvi dois projetos pessoais. Um deles foi a página do Facebook Gente de São Paulo, em que entrevisto os moradores da metrópole em vídeo e o outro, o Moda ZEN Crise (descontinuado, infelizmente), programa de YouTube que oferece dicas para se vestir bem gastando pouco.

E o mais bacana é que, pelo menos no meu caso, os projetos pessoais ajudam a impulsionar o profissional, pois funcionam como uma vitrine do que mais eu posso oferecer e também são um laboratório de experimentações para depois aplicar com mais segurança, na realidade dos meus clientes.

Perdeu o emprego? Não tenha medo, não entre em pânico. Você acaba de ganhar a oportunidade de experimentar uma vida com mais significado.

 

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