A dor e a delícia de ser empreendedor

 In empreendedorismo

Recentemente fui convidada a apresentar o Lado B do Empreendedorismo em uma palestra e agora resolvi transformar esse conteúdo em texto. Muito se fala sobre propósito, qualidade de vida e como empresas que se iniciaram em uma simples garagem se tornaram as corporações de sucesso do Vale do Silício, mas pouco sobre o dia a dia de ser empreendedor, que é repleto de erros até se chegar aos acertos, pouco dinheiro e muito, mas muito trabalho. Para tanto, resolvi listar alguns mitos dessa jornada e apresentar sua realidade.

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1) Flexibilidade de horário

Sim, você não precisa viver a ditadura das 9h às 18h. No entanto, quando se é o próprio chefe, ainda mais no meu caso, que sou uma EUpreendedora, significa que trabalho muito mais do que o horário comercial. Acabo esticando até a noite e finais de semana ou feriados. Isso acontece porque sou responsável por todas as áreas de minha empresa, ou seja, faço a contabilidade, atendimento e cobrança dos clientes, além do serviço que efetivamente vendo: produção de textos e comunicação digital.

2) Não tenho chefe

É ótimo não precisar dar satisfação a um superior. Mas, olha, eu sinto uma saudade enorme de receber o salário certinho todo dia 10. Ser empreendedor significa todo mês correr atrás dos seus ganhos e cobrar os clientes, que geralmente não pagam todos na mesma data. Faz parte dessa trajetória se profissionalizar, o que significa criar sistemas automáticos de cobrança e contratos para evitar dores de cabeça futuras.

3) Trabalho do conforto da minha casa

Fazer home office hoje é sinônimo de qualidade de vida. Realmente é muito bom não precisar perder horas no trânsito no deslocamento entre casa e o trabalho, mas é muito solitário trabalhar sozinho. Eu sinto falta de ter alguém para discutir minhas ideias e questões que surgem no dia a dia com os clientes. Não é à toa que venho buscando um sócio, mas se é difícil encontrar alguém para compartilhar a vida, acontece o mesmo no profissional.

4) Faço meu salário

Em pouco mais de um ano e em período de crise, já consigo ganhar meu antigo salário, o que é uma vitória. No entanto, não tenho benefícios como vale refeição e plano de saúde, por exemplo, o que diminui em muito meus ganhos. Há menos dinheiro para se gastar em passeios e presentes, mas existe mais presença, pois agora estou a maior parte do tempo em casa, participando ativamente da vida do meu filho.

5) Deixo minha marca 

Agora que não trabalho pra uma empresa, não tenho uma marca que me represente. Assim, preciso investir no meu próprio branding, o que inclui cuidados como contratar os serviços de uma consultora de imagem. Afinal de contas, eu preciso causar uma boa primeira impressão. Mais do que isso, brinco que aprendi a vender meus serviços “até na mesa de bar”. Sempre carrego meus cartões de visita e sempre divulgo o que faço, pois vejo todos como potenciais clientes.

6) Trabalho com propósito

Quando trabalhava no corporativo, desenvolvia textos para grandes companhias como Samsung, Disney, entre outros. Dificilmente esses clientes me conheciam ou fazia diferença que eu estivesse à frente da criação. Poderia ser eu ou qualquer outra pessoa. Hoje como empreendedora, tenho uma relação próxima com meus clientes, a maior parte pequenas empresas e empreendedores como eu, que eu tenho o prazer de ajudar a divulgar com conhecimento, o que me faz sentir útil e meu serviço ter propósito. Só que isso quer dizer também que além de desenvolver conteúdos, eu também passo boa parte do meu tempo negociando, cobrando e atendendo meus clientes; e, inclusive, precisei aprender a lidar com reclamações.

7) Tempo para projetos pessoais

Desde que deixei o mundo corporativo, tenho conseguido investir em sonhos como dar aulas, que tenho praticado com cursos de escrita e de conteúdo para as mídias sociais, e tenho me preparado para ingressar no mundo acadêmico, assistindo a aulas do mestrado. Também aproveitei para me atualizar e conhecer melhor sobre o mercado digital com cursos, além de experimentar, como no caso do Gente de São Paulo, página em que divulgo vídeos com entrevistas de moradores da metrópole. Mas, em geral, todas essas vivências e estudos são meios de atender melhor meus clientes e pensar em novas ferramentas e soluções para oferecer a eles. Ou seja, não deixa de fazer parte do meu trabalho.

8) Trabalho em projetos que acredito

No empreendedorismo não há lugar para a monotonia. Todos os dias conheço novas pessoas e sou constantemente brindada com desafios. Tipo de texto que nunca fiz, a conquista de um público consumidor diferente, a entrada em um novo mercado. E eu preciso SEMPRE exceder as expectativas dos meus clientes positivamente, caso contrário não continuarão solicitando meus serviços; o que não acontece quando se está em uma empresa, pois não se espera um rendimento excepcional todos os dias. Logo, escolho um pouco meus clientes, mas na maior parte do tempo, eu que sou escolhida.

9) Empreendedor é desempregado

Já coordenei a área digital de agências de propaganda, mas hoje para trabalhar por conta e atender meus clientes, precisei estudar mais e compreender a comunicação digital como um todo: não apenas a produção de conteúdo, mas conceituação, estratégia, planejamento, impulsionamento, métrica e mensuração, até outras técnicas de mercado. A ironia é que me tornei empreendedora por necessidade, depois de ser demitida e não conseguir me recolocar; só que com tudo que sei agora, provavelmente estaria empregada.

10) Sorte nos negócios

Antes, eu não queria encontrar o príncipe encantado, mas ser escolhida pelo emprego dos sonhos. Depois de me tornar empreendedora, eu compreendi que eu mesma sou capaz de tornar meus sonhos realidade. Se a oportunidade não existe, eu crio.

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