É O CALÇADO QUE ME CALÇA OU EU QUE O USO?

 In Literatura, Mãe, Mulher

Quando era adolescente, imaginava que quando usasse sapatos como esses é porque eu seria uma grande mulher. Pensava que só com uma personalidade majestosa, que fizesse me destacar em meio à multidão, para prescindir da altura que o salto alto me dava (baixinha!), e sem necessitar pisar em ninguém para chegar lá.

Hoje me lembrei dessa história, e percebi que não é o calçado, ou qualquer objeto, que faz de mim essa notável. Mas minhas escolhas e ações ao longo da vida.

Compromisso de procurar a todo custo honrar minhas palavras com amigos, clientes e família. Da mesma forma, buscar ser responsável no sentido de prometer aquilo que posso cumprir.

Capacidade de desistir de pequenos desejos e vontades em nome do meu filho. Adoraria ter aquela sapatilha, mas ela custa o mesmo que o tênis de que ele precisa.

Persistência para não abrir mão dos meus sonhos, não importa quanto tempo demorem pra se realidade nem a infinidade de obstáculos que terei de superar nessa jornada rumo à realização.

Vejo que atualmente calço estes sapatos, meus e não emprestados, o que consiste também em não apenas saber qual é o meu número, mas qual modelo me dá bolhas e aquele que tem a cor que melhor me favorece. É não ter mais medo de me olhar no espelho e encarar as marcas da idade e da gravidez; é sorrir para minhas imperfeições que me fazem humana.

Garota, ainda pensava que jazz era coisa de gente velha, e eu perto da idade da loba, adoro esse tipo de som, assim como samba (uma surpresa!), e literalmente desci do salto.

Atualmente, maravilho-me com o fato de que cheguei até aqui, de tudo que vivi, do meu conto de fadas pessoal; que não precisa de príncipe (embora seja um final legal, admito) para encontrar aquilo que melhor me serve. Cada mulher tem a altura que merece, ou pela qual lutou. Que eu seja infinita enquanto dure.

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