TIG

TIG orgulhosamente apresenta

A METAMORFOSE

Tudo que é sólido pode derreter

 

Eliana Loureiro

 

Abrem-se as portas do teatro mágico. Is this real life? Is this just fantasy? Quando certa manhã Gregória Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseada num gigantesco inseto. Scape from reality. Eis que na hora mais escura entrou grave e nobre um corvo, que com ar solene e lento pousou num alvo busto de Atena. Foi, pousou, e nada mais.

“Dize-me qual o teu nome”, o mundo quis saber. Ao que ela, ontem corvo, hoje tigresa, amanhã fada inseto, respondeu: “Dor”. Tentou erguer suas asass e se proteger fora e acima da manada, mas logo se lembrou de que havia permitido que elas fossem cortadas. Mas essa seria a última vez e fez um pacto consigo de que “Never more”.

Já quase belamente adormecida quando ouviu o que parecia o som de alguém que batia levemente em seus umbrais. Foi nesse processo que Samsa se descobriu como uma certa Harrieta. Andava sobre duas pernas, usava roupas e era uma mulher, mas não obstante era também uma tigresa, com muito ódio no coração e muito amor. Só para raros, só para loucos.

You gone too far this time. Viu-se no espelho; refletida, reflita, aflita. Ela tinha duas naturezas, uma humana e outra de tigresa, Always together, em luta constante; se Harrieta tentasse inventar um lugar onde ela e a natureza feliz vivessem sempre em comunhão; então a tigresa, em seu interior, arreganhava os dentes, mostrava as garras e ria com amarga ironia o quão ridícula era aquela nobre encenação aos seus olhos de fera. Mirou o despertador, que fazia tique-taque na cômoda, um som que parecia questionar: “Quem é você?”. “Will you let me go?”

Em um novo despertar com a persistência da memória, fechou-se no seu casulo, enquanto fiava seu próprio destino. Não demorou muito para se libertar como mulher alada, sagrada, sentindo-se agora completa dotada de asas e antenas de inseto. “Para quê preciso de pés, se tenho asas para voar?” Nothing really matters. Foi dessa forma que elevou-se em direção aos céus da noite infinda, brilhante e iluminada, sabedoria de que renunciar a seus sonhos e deixar de acreditar em si mesma, “Nunca mais”!